CRÔNICA: A juventude, o MST, Promissão e o pão nosso de cada dia

A viagem até Promissão (SP) começou com atraso de 2h30. O ônibus da Juventude do PT (JPT) que nos pegaria em Campinas (SP) teve antes que enfrentar o caótico trânsito paulistano do final de uma sexta-feira, agravado por um protesto que parou a cidade. Espera e ansiedade, até que teve início a caminhada ao assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Agrovila Campinas. Sim, o assentamento tem Campinas em seu nome e, em pesquisa/bate-papo realizada no boteco do assentamento, constatamos que muitos dos assentados saíram de Campinas e região em busca de um pedaço de terra e fugindo da John Boyd Dunlop.

Escrevo no plural, pois a experiência com o MST foi algo coletiva, e não poderia ser diferente. Chegamos por volta das 4h e fui dormir ao som ambiente de Chico Buarque. Aquilo era a perfeita plenitude. Pela manhã, na “plenária” com o padre e com os assentados, era só olhar ao redor para ver que TODOS estavam com os olhos marejados ou consternados com o primeiro momento de vivência no local.

ImagemPlenária sobre o MST

Todas as plenárias, encontros, discussões, conversas giravam em torno das lutas dos movimentos sociais, no campo ou na cidade, em casa ou na rua, feminismo, racismo, classe trabalhadora e BEC (Bloco da Esquerda Canábica), entre muitas outras coisas, eram pautas. A pauta era de lutas, era do povo! A vontade era de ocupar o assentamento para sempre.

Mas a vivência no assentamento não era só ideologia, era comida e bebida também. Leite que não precisa de açúcar, nem café, nem chocolate, nem nada. LEITE! Frango caipira, mandioca, arroz, feijão e o melhor tomate do mundo. Tudo feito com muito carinho e sempre a nossa espera. Companheiros, que nos receberam com o que há de melhor e sempre estavam prontos a falar sobre a vida, dentro e fora do assentamento, sobre as lutas, sobre tudo no botequinho da “esquina”. O boteco era algo a parte… era a vivência dentro da vivência. Ali éramos nós e os assentados (e os grilos).

MST

Agora no singular. Como não podia ser diferente, ataquei jornalista durante o fim de semana em Promissão. Em conversa com um dos dirigentes estaduais do MST, companheiro Lourival Plácido de Paula, ouvi a frase que nunca vou esquecer: “O direito à propriedade acima de qualquer outro direito é o início dos crimes”. É tão óbvio, né? Mas ainda é necessário que alguém nos diga com todas as letras para que a “ficha caia”.lourival                  Lourival Plácido de Paula, membro da direção estadual do MST

Não fomos educados para dividir! Em uma sociedade em que o direito à propriedade (capital) é nos ensinado desde crianças como algo primordial e reforçado ao longo da vida, o MST parece surreal. Assim como os coletivos nas grandes cidades, como o Fora do Eixo, também é surreal.

Os dilemas dos assentados em Promissão são muitos semelhantes aos de pequenos agricultores em todo o Brasil: dificuldades em escoar a produção, baixos preços pagos pelos alimentos, problemas climáticos e etc.

Enquanto o governo Lula apresentou avanços ao MST, com desapropriações de terras e políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Política Nacional de Assistência Social (PNAS), além de assistência técnica aos trabalhadores sem terra, o governo Dilma segue como uma pedra no sapato do Movimento. É bom lembrar que a comida que chega à mesa das famílias nas grandes cidades vem de assentamentos do MST e pequenos agricultores. Os médios e grandes produtores brasileiros estão produzindo grãos como soja, milho e trigo para exportação ou arrendando terras para cana-de-açúcar. Isso não quer dizer que exportar esses alimentos não seja importante. É óbvio que é. A agricultura, mesmo essa de monocultura, contribui e muito para a balança comercial brasileira e emprega muita gente em nosso país. No entanto, ela não contribui com os preços dos alimentos no mercado interno, que seguem cada vez mais pressionados para cima e são o pesadelo da inflação.

Enfim, falei muito. O assunto é extenso, assim como os 22 mil hectares do assentamento Agrovila Campinas, forjado na luta da classe trabalhadora no campo e no sacrifício de muitas vidas em nome da reforma agrária. Viva o MST, viva a classe trabalhadora!

Imagem

* Texto colaborativo

assinatura ana paula

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3 Respostas para “CRÔNICA: A juventude, o MST, Promissão e o pão nosso de cada dia

  1. “O direito à propriedade acima de qualquer outro direito é o início dos crimes”. Vai pra Cuba que te pariu!!!! Jornalistazinha rídicula, cara de patricinha burra que engoliu maconha com esperma marxista na universidade e nunca mais se recuperou. Burguesinha branquela paga pau de bandido do mato travestido de revolucionário. O dia que tomarem a casa da sua mamãe e passarem a foice no teu papai a gente volta a conversar….

  2. Danilo

    Cala boca palhaço, você é mais manipulado pela elite, pela Veja e a Rede Globo. Todos temos direito a Terra, e só com muita luta iremos conseguir isso. Vai ler livros, estudar, antes de sair falando bosta.

  3. Vorka0s é um gênio coxinha. Não gostou da proposição da moça e em vez de argumentar, mostrar pontos falhos ou os benefícios do oposto, só fez ataques dignos de quem tem a competência cognitiva necessária para ser conservador. Era de se esperar.

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