RESENHA: Ferrugem e osso

images-2Stéphanie toca o vidro do tanque onde ficam as baleias. Do outro lado um dos animais aparece. A ex-treinadora de orcas faz alguns movimentos, correspondidos prontamente pela baleia. Stéphanie está em paz, enfim. As pernas amputadas em um acidente durante uma apresentação com as orcas foram substituídas por mecânicas. Agora, ela podia finamente seguir.

Na cena seguinte, Alain brinca animadamente no gelo com o filho Sam de 5 anos. Mas durante um momento de descuido, o menino escorrega em um buraco e cai no rio congelado. O pai, desesperado, soca o gelo para tentar salvar o filho. Alain, que até então se mostrava indiferente a Sam, percebera a importância que ele tinha na sua vida.

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O filme do diretor francês Jacques Audiard é baseado em dois contos do canadense Craug Davidson. A história tem como protagonistas uma mulher de espírito livre que tem as duas pernas amputadas durante uma tragédia. E um homem, ex-boxeador falido, que se muda para a casa da irmã com o filho de 5 anos que acabara de conhecer. Os caminhos dessas duas pessoas vão se cruzar em uma paradisíaca cidade do litoral norte da França.

Um enredo improvável que poderia ter caído para o melodrama surpreende justamente por mostrar o contrário. A vida é dura. Para os protagonistas, talvez, ela tenha sido um pouco mais. Só que justamente por estarem vivendo no limite é que Stephanie e Alain começam a construir uma relação de amizade. E, posteriormente, amorosa. São duas almas desesperadas que vêem na outra uma saída para serem elas mesmas.

O filme não revela detalhes dos motivos que levaram Alain a ter a guarda do filho. Entretanto, percebemos que que o caminho deve ter sido tortuoso. Talvez por já ter apanhado tanto do destino, ele passa a manter certa distância das pessoas, inclusive de próprio Sam. A educação e a responsabilidade pelo garoto são entregues à irmã sem a menor cerimônia. Em contrapartida, ele se revela uma pessoa sensível com Stéphanie. E, juntos, vão descobrir o melhor de cada um.

imagesAlém da direção e roteiro impecáveis, as atuações de Marion Cotillard (vencedora do Oscar como melhor atriz por “Piaf – Um hino de amor”) e de Matthias Schoenaerts dão veracidade aos dramas dos protagonistas. Como a atriz francesa disse durante uma entrevista, ser deficiente não definia Stéphanie e, por isso, era preciso conhecer profundamente a personagem.

O quarto está escuro. Apenas a luz do abajur permite que Stéphanie enxergue as pernas mecânicas que ela retira cuidadosamente. Ela se despe também do tecido que protege a pele do metal, assim como das roupas. Depois de mais de um ano ela teria a primeira relação sexual. Ela apaga as luzes. “Pode entrar”, diz a Alain.

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