REPORTAGEM ESPECIAL: Ser, reconhecer e voluntariar

Sorriso alado. Medos abandonados. Mente que se abre a outras experiências e mata as expectativas criadas pela espera da ação dos que estão no poder. Arregaça-se as mangas e rumo ao desconhecido se vai.  E se encontra. Como ser humano, como cozinheira, como jornalista, como professor. O objetivo? Educação, não apenas acadêmica, mas social e pessoal.

O Bendita Versão teve o prazer de conhecer a fundo três projetos voluntários voltados à educação. O encantamento de ver e sentir o voluntário, aquele que se abdica do capital para construir o social, é magnífico.     

A jornalista Thaís Maruoka adentrou no Centro Socioeducativo Semente Esperança. Lá, crianças e adolescentes têm a oportunidade de sonhar.

Já Marília Gabriela Viana entrevistou o idealizador do projeto Escola de Bambu. A construção de uma escola no oeste da África é mais fascinante do que podemos sequer imaginar.

Martha Romano foi fundo. Por meio da filosofia clássica da Nova Acrópole, ela nos mostra que, para transformar a sociedade, o ponto de partida é o próprio cidadão.

Uma pergunta fica: será que sabemos nos doar como forma de gratidão?

Semente Esperança: comunidade se faz em equipe

“A maioria das pessoas vem com a mentalidade de estar ajudando os assistidos e esquecem que é muito rico o que aprendemos com eles (…)”, diretora voluntária Gabriele Buck Reimer. 

O cheiro de alho no fundinho da panela já invadia os cômodos da casa antes mesmo das 10 horas da manhã. Nas quatro bocas do fogão, panelas enormes, cozinhando a comida que em pouco tempo seria servida para cerca de 70 pessoas. Made with Repix (http://repix.it)Com uma touca no cabelo, Sônia seguia o cardápio oferecido pela Prefeitura de Campinas, interior de São Paulo. Era dia de carne em cubos, mandioca, batata, milho refogado, arroz e feijão tropeiro.

Na sala ao lado, ouço vozes de crianças na oficina “Além das letras”, que nada mais é que o aprendizado de português com brincadeiras e tarefas didáticas.

Em pé ao lado da mesa estava Mary Ângela Sartori, em frente aos cinco assistidos entre nove e 12 anos que prestavam atenção nas orientações, camufladas em meio a brincadeiras. Entre os textos conhecidos, encontro uma folha com palavras indígenas que, minutos depois, eram cantadas pelas crianças sem a ajuda do papel.

Em um armário, brinquedos que vez ou outra são liberados para que as crianças contem histórias com eles nas mãos. No outro canto da sala, uma porta trancada escondia um mundo mágico e divertido: fantasias para todos os gostos.

Nas prateleiras, a biblioteca com pequeno acervo, da qual qualquer pessoa pode pegar um livro emprestado e levar para casa. “Aqui a gente incentiva a leitura. Antigamente eles não queriam ler nada. Hoje, além de levar livros para casa, disputam para ficar em pé aqui e ler um trecho”, conta Mary Ângela.

Contente, ela se lembra de quando um menino aprendeu a escrever em letra de mão, abandonando o costume da letra de forma. Cinco anos como voluntária no Semente Esperança, ela também colaborou para o progresso de Luiz Henrique Rodrigues, de 14 anos. Moreno e com cabelo enrolado, ele conta que frequenta o centro socioeducativo desde 2005. “Foi no ‘Mil histórias’ que eu aprendi a ler, sabia? Na escola eu não conseguia aprender e um dia a ‘dona’ foi falando ‘a’, ‘e’, ‘i’ e eu fui aprendendo… até que consegui ler e contei pros meus pais! Pedi para nunca mais me tirarem daqui…”. Luiz tem um irmão de 13 anos que também frequenta o centro e outro de 16, que já foi aluno e que hoje intercala o ensino fundamental à noite com o trabalho na lanchonete à tarde.

Quando pergunto qual a aula predileta, ele para e pensa por alguns segundos… “Hip hop!”, responde sem sombra de dúvidas. E logo apresenta dois amigos que escreveram um rap naquela manhã durante o “Além das letras”, orientado por Satiko Murakami, uma mulher japonesa com cerca de 1,60 m e voluntária há quatro anos. “É bem complicado conseguir fazer com que se concentrem nas atividades deles, mas vemos que já evoluíram do começo do ano pra cá. E isso é sempre gratificante”, revela.

O “Além das letras” é apenas uma das oficinas oferecidas às 75 crianças de seis a 13 anos, e 15 adolescentes, de 14 a 16 anos. O número já atinge o limite que a entidade consegue atender e a grande lista de espera logo é compreendida. Balé, percussão, informática, jogos pedagógicos, coral, bijuteria, pintura, origami, além de atividades ao ar livre aproveitadas nas praças e campo de futebol do bairro campineiro Jardim Baronesa.

Gabriele Buck Reimer é diretora voluntária há 15 anos. Conhecida como Gaby, a mulher alta, loira e de olhos claros, traz ainda os traços alemães de sua família. Foi inclusive da força de vontade de um grupo de alemães que surgiu o Semente Esperança, no qual ela é voluntária desde o primeiro dia. “A coisa te pega, te absorve. Você começa a viver a entidade. Você vai criando amor à causa e vendo que precisa de voluntários para envolver e acreditar no objetivo. Trabalho voluntário vira simplesmente um vício”, salienta.

Made with Repix (http://repix.it)

Naquela pequena casa na rua Ubirama, número 372, também são realizadas algumas oficinas aos sábados, voltadas especialmente para a comunidade. “Se não envolver a família, dificilmente vamos ter um resultado positivo”, afirma Gaby consciente.

Para continuar o trabalho, três terrenos foram comprados a poucos quilômetros dali: um em 2009 e o último no ano passado. O projeto só não saiu do papel porque aguarda, há mais de um ano, a aprovação da Prefeitura da cidade. Oitocentos metros quadrados darão lugar para essa grade de atividades, que serão realizadas em salas maiores, arejadas e até quadra de esportes.

O que separa o projeto do sonho de dez anos é apenas a burocracia, porque se dependesse do centro socioeducativo, a semente da esperança já teria brotado há muito tempo.

A próxima história de solidariedade ultrapassa fronteiras e vai até a África para mudar a vida de 350 crianças liberianas por meio da educação

Escola de Bambu: sonho que se sonha junto é realidade

O par de olhos claros são encantadores. A postura perante o mar de diferentes diferenças que constituem nossa sociedade encanta mais ainda. Ele não se limita ao comum do senso que insiste em formar tantas ideias corriqueiras grudadas em mentes que esquecem o todo. Ele não. Empunha a mão como sua arma. Utiliza o verbo como se fosse amigo de vidas passadas. Faz da privilegiada capacidade de enxergar o próximo uma guerra contra os fortes poderes que perduram.

Vinícius Zanotti tem pouca idade – 28 anos – mas reúne ricas lutas cívicas ao seu repertório chamado vida. Filho de pais jornalistas, jornalista ele é há seis anos pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Campineiro de coração, escolheu o mundo como lar. E foi encará-lo sem medos.

O ano era 2010, ele estava na Irlanda e a latente vontade de conhecer um país do oeste africano mais possível. “Fiz alguns contatos e parti para uma temporada de dez dias na África”, conta Vinícius.

A viagem foi para a Libéria, país extremamente pobre situado logo abaixo de Serra Leoa e que tem uma trajetória sangrenta marcada por uma guerra civil que durou 14 anos e mantida, na sua grande maioria, por soldados crianças. Foi só em 2003 que a população se viu longe da guerra, mas não das armas e nem da miséria – miséria esta entendida em todos os âmbitos.

Nesta passagem pelo país, Zanotti contraiu febre tifoide. Começou o tratamento em um hospital, fato que o apresentou a Sabato Neufville, um liberiano de 34 anos, solteiro, organizador do United Youth Movement Against Violence (UYMAV, em uma tradução livre podemos ler Movimento da Juventude Unida Contra a Violência) e pai adotivo de nove crianças órfãs de guerra.

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A organização na qual Sabato atua busca recuperar jovens liberianos que se viram participando de sangrentas batalhas durante os anos de guerra e evitar que estes virem estatística dentre os elevados índices de violência que assolam a Libéria. O pai tem renda mensal de R$ 800 para trabalhar como prestador de serviços na missão que a ONU mantém no país. Dinheiro este que se multiplica para estudar e alimentar as crianças e, ainda, para financiar atividades culturais em bairros da comunidade. E Sabato ainda fez mais: construiu uma escola para que crianças da periferia de Monróvia, a capital, pudessem ter acesso à educação.

16O par de olhos claros se viu perante a uma situação social completamente degradada pelo sistema imposto ao conhecer a escola e a comunidade que a cerca. Neste momento Vinícius usou o que tinha em mãos para começar a travar uma batalha pela educação. Filmou não somente a rotina da escola de Sabato, como também a sofrida existência da população local.

Deste trabalho na Libéria nasceu o documentário “Escola de Bambu” com um objetivo muito bem definido: arrecadar fundos para a construção de uma escola sustentável para 350 crianças na Libéria.

Vinícius trouxe para o Brasil o seu sonho na mala e o compartilhou com uma equipe de mais de 30 profissionais de diversas áreas que, unida, tornou o projeto uma realidade. Intitulados bambuzeiros, o grupo de voluntários promoveu a causa por três anos4 em campanhas nas redes sociais, de boca a boca, com promoção de eventos, venda de camisetas, DVDs do documentário e outros itens. Um dos maiores estilistas brasileiros, Ronaldo Fraga, declarou que não teve como não se envolver com o projeto e que esta foi uma grande oportunidade pessoal de fazer parte de uma história como esta.

No último mês de fevereiro, Vinícius embarcou rumo à Libéria com parte da verba necessária para a construção da escola junto do arquiteto André Dal’bó e do construtor Fabio Ivamoto Peetsa. E aqui no Brasil os bambuzeiros não descansaram até levantarem toda a verba.

5Lá na África, a construção andou intimamente ao lado da transmissão de ensinamentos técnicos adquiridos em pesquisas aqui no Brasil, aos liberianos. “Tivemos o cuidado de mostrar aos trabalhadores a importância da organização social para a conclusão e sucesso do projeto”, explica Zanotti que, junto com os bambuzeiros Dal’bó e Peetsa viveram uma experiência de doação extrema ao projeto humanitário. Eles mergulharam na rotina do local em todos os momentos, não tendo privilégios como se hospedar em hotel – dormiam com os trabalhadores, também se alimentavam de refeições à base de arroz, dendê, pés de galinha e peixe que tinha mais espinho que carne. “É assim lá. E para eles é uma excelente refeição”, conta.

Mesmo dormindo com a proteção de mosquiteiros, os voluntários brasileiros contraíram febre tifoide, malária, voltaram com muitos quilos a menos ao Brasil e enfrentaram também outros sérios problemas. “Sabíamos que não seria fácil e lidar com a segurança da equipe foi algo bastante delicado”, explica Vinícius recordando as situações constantes de pequenos furtos e abusos das autoridades locais que se transformaram em uma situação de risco físico real.

Ao perguntar a Zanotti qual foi o instrumento motivador de toda esta aventura solidária na Libéria, ele responde sem titubear: “As crianças.7 Mesmo sentindo em toda aquela gente uma falta de sonhos e esperanças, ainda brilha nos olhos dos pequenos uma certa indagação para o dia de amanhã”, diz.

E assim, pensando para agir por um mundo menos injusto nas suas mazelas, Vinícius e toda a equipe de bambuzeiros concretizaram a construção da Escola de Bambu na Libéria no recente mês de setembro, no qual 350 crianças da comunidade de Fendell passaram a estudar em uma nova escola.

Pergunto, ainda, se Vinícius tem consciência do feito. Ele para, pensa por alguns minutos e confessa que ainda digere toda experiência. “Mas sim, reconheço o feito não para mim ou para toda a equipe de bambuzeiros que se mobilizou sem precedentes. Reconheço o feito pelas crianças, pela comunidade”, conclui.

Da África diretamente para Campinas. Vamos adentrar à filosofia a maneira clássica da Nova Acrópole. A mudança do mundo começa em nós mesmos.

Nova Acrópole: a sabedoria como caminho

Reconheço o som do piano do saudoso Tom Jobim na música ao fundo, baixinho. A aula começa e me esforço para não cantarolar, mesmo que mentalmente.

“Vocês souberam do que aconteceu com o estudante da Unicamp?”, comento. “Eu soube por cima”, afirma um dos alunos. “Absurdo”, diz outro. O tal estudante que me referia era Denis Papa Casagrande, espancado e morto com uma facada durante uma festa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no dia 21 de setembro. O motivo: ele teria mexido com a jovem Maria Tereza Peregrino, de 20 anos, que não teria gostado. O namorado dela, Anderson Mamede, e outros amigos teriam então partido para cima do universitário. Mas Maria Tereza, conforme confessaria poucos dias depois à polícia, fora a autora da facada fatal.

Era uma terça-feira fria de começo de primavera. E estávamos em quatro pessoas, incluindo o professor Cauê, conversando horrorizadas sobre o caso que chocou toda a região de Campinas. “Esse caso pode servir de introdução para a aula de hoje, que será sobre a filosofia da história, que nada mais é do que a sabedoria por meio da história. Vocês vão ver que uma das causas de tanta barbárie é a ignorância, é a falta de uma formação ético-moral”, explicou Cauê. Ele prosseguiu: “A história está para a humanidade assim como a memória está para o indivíduo”.

IMG_4055Cauê Nascimento de Oliveira tem 37 anos. Dentre eles, 16 foram dedicados à Nova Acrópole. Ele conheceu a associação cultural por meio de um amigo. Na época, Cauê havia deixado a cidade de São Paulo para estudar biologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. “Eu sempre tive perguntas profundas acerca da vida, acerca da transmissão do conhecimento ao longo da história e isso me atraiu para o curso de filosofia”. Hoje ele está terminando o doutorado na Unicamp em educação ambiental.

O ano era 1997 e a sede campineira da Nova Acrópole ficava em uma sala comercial na avenida Doutor Campos Sales, no Centro. Cauê conta que a transição de aluno para voluntário aconteceu naturalmente. Em poucos meses de curso, ele já se oferecera para ajudar na biblioteca e, logo em seguida, começou a promover atividades ao ar livre com a temática ambiental. Em 2001, a até então diretora da associação estava envolvida com a fundação de uma nova escola na cidade de Ribeirão Preto e passou o bastão para Cauê. “Muitas pessoas procuram o voluntariado para suprir uma necessidade individual de ajudar o outro. Na Nova Acrópole, por meio da filosofia, percebemos que essa ação tem que ser voltada para o outro. Esse que vai ser o nosso diferencial”.

Mas apesar do foco ser sempre o outro, não há como negar que essa busca da sabedoria promove muitas transformações. O atual diretor inclusive cita algumas mudanças percebidas por ele. “Ao longo de todo esse tempo, embora a gente perceba que as mudanças sejam graduais e lentas, eu percebo que mudei muitas coisas, principalmente, o temperamento, o relacionamento com as outras pessoas, percepção de mundo, a real necessidade do outro”.

Durante a entrevista, conduzida mais como um bate-papo, permanecemos sentados na sala que funciona como uma espécie de copa. Ao fundo, como de costume, toca música clássica. No canto da parede, há quatro cestos de reciclagem de lixo com as respectivas cores verde, azul, vermelho e amarelo. Nas paredes, uma ou outra réplica de pinturas renascentistas. “Quando a gente aplica um conceito filosófico na arte em geral, a gente vai buscar tudo aquilo que eleve o ser humano. Não vamos necessariamente ouvir a música clássica, por exemplo, mas todo tipo de música que eleve a consciência. E vamos evitar aquilo que traga algum tipo de desarmonia”.   (Sugestão de música clássica aqui)

faxada-2A Nova Acrópole é uma organização internacional de caráter filosófico, cultural e social presente em mais de 40 países. O Brasil é dividido em dois: Brasil Norte e Brasil Sul. Somando todas as sedes brasileiras, há mais de 3,5 mil membros no país. Em Campinas, a escola ainda é pequena e conta com apenas 15 pessoas. Mas em Florianópolis, por exemplo, há cerca de 200 membros.

O nome da associação foi inspirado na Grécia Antiga. Naquela época, Acrópoles significava a parte mais elevada da cidade, onde se estabelecia o contato entre o visível e o invisível. Hoje, a Nova Acrópole tem como proposta ajudar a formar pessoas melhores por meio do conhecimento filosófico. Para isso, é oferecido um curso de filosofia que dura sete módulos. A taxa é de R$ 120 por mês. Valor usado apenas para cobrir os gastos da escola, uma vez que os professores, diretores e afins não recebem nada.

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Primeira quarta-feira do mês significa que é dia de diálogo, encontro mensal em que os alunos de qualquer módulo se reúnem para discutir determinado tema. Essa era a segunda reunião que eu participava. O assunto era: “Destino ou livre arbítrio?” Como base para debatermos o tema, todos deveriam ler um livrinho de 30 páginas, onde fora copilada uma conferência internacional entre diretores acropolitanos.

Primeira quarta-feira do mês significa que é dia de diálogo, encontro mensal em que os alunos de qualquer módulo se reúnem para discutir determinado tema. Essa era a segunda reunião que eu participava. O assunto era: “Destino ou livre arbítrio?” Como base para debatermos o tema, todos deveriam ler um livrinho de 30 páginas, onde fora copilada uma conferência internacional entre diretores acropolitanos.

Sentávamos nas cadeiras brancas de plástico formando um semicírculo. Juliana era quem mediava o debate. Logo quando cheguei, reconheci um aluno que participara do encontro do mês passado. Cumprimento todos e me apresento aos que não conheço. Vilma, minha colega de curso também estava lá. Espirituosa, ela já solta um comentário engraçado antes de iniciarmos o trabalhos. Além da Ju, como carinhosamente nos referimos à professora, havia cinco pessoas na sala. Música no fundo, línguas afiadas.

IMG_4052O nome completo da Ju é Juliana Fonseca Monteiro. Ela tem 39 anos e, além de braço direito do Cauê na Nova Acrópole, também é sua esposa há três anos. Juliana nasceu em Itapeva, Minas Gerais, e, aos 25 anos, decidiu iniciar a carreira como dentista na paradisíaca cidade de Florianópolis, de onde só resolvera sair para se casar com Cauê.

Os dois se conheceram por meio da associação. Ela já o tinha visto em algumas atividades na Nova Acrópole Brasil Sul, que fica em São José dos Campos. Entretanto, a relação só foi estreitada quando Juliana passou a viajar mensalmente para o interior paulista para um curso. “Aí começou uma amizade, um interesse. Pela distância, namorar à distância é complicado, como já estávamos juntos há um tempo, aí eu vim pra cá”.

A aula já está quase no fim. Cauê explica os últimos métodos de exposição da história. Logo e seguida, ele abre espaço para as considerações sobre o tema tratado. Voltamos a conversar sobre o caso do estudante da Unicamp. Essa histeria coletiva e onda de intolerância são citados como consequência da falta de conhecimento. Bate um leve desespero. Até aonde vamos chegar com tanta barbárie? Nos despedimos e volto para casa assimilando o conteúdo e ainda meio descontente com os rumos que a sociedade está tomando.

Já durante a entrevista, converso com os dois separadamente, mas, ao final, desligo o gravador e Cauê se junta à roda. Quase uma hora de conversa se passou sem que tenhamos percebido. Falo com eles sobre o meu interesse em me tornar voluntária. Minha contribuição seria em ajudar a divulgar o trabalho da Nova Acrópole, algo que faço já de boca a boca, mas que faria de forma mais profissional.

Comento sobre a necessidade de fazer uma página no Facebook e de divulgarmos as atividades da escola no distrito de Barão Geraldo. Combinamos de definir como faríamos isso na semana seguinte e abraço os dois como forma de agradecimento. Agradecimento pelo tempo concedido e pela troca. E como os dois falaram durante nossa conversa, a palavra voluntário vem de vontade, vontade de fazer a diferença. E os dois, sem dúvida, fazem toda a diferença para mim e para os demais membro da Nova Acrópole. Citando Sócrates: “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”.

A conclusão unânime que as três jornalistas chegaram se convergem na magnitude do ajudar por ajudar. Esse sempre deve ser o objetivo. E quando passamos a pensar no outro, sem percebermos, nos transformamos. Transbordamos.

Thaís Maruoka, Marília Gabriela Viana e Martha Romano

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