CRÔNICA: Namastê

“Om Maha Ganapataye Namaha”

“Om Maha Ganapataye Namaha”

“Om Maha Ganapataye Namaha”

O som era baixo e cantado por uma voz feminina e outra masculina… Na sala, vinte pessoas sentadas em esteiras individuais azuis de frente para uma mulher magra, morena, com cerca de 1,60m. Era atrás dela que se via a dupla com violão cantando os mantras de forma suave.

E eu estava ali, na minha terceira tentativa à procura de uma aula de Yoga. A vontade de querer encontrar o equilíbrio, relaxar e ficar mais saudável foi despertada em mim nas últimas semanas… Não sei de onde ela veio, mas achei ótimo e assim tenho tentado.

Mas, não comecei com sorte. Na primeira academia fui com a expectativa de encontrar música baixa e lenta, incenso e clima de meditação. Cheguei às 20h, como indicava no site da academia, mas já havia passado metade da aula. Entro com receio e espero conseguir um colchão, sem sucesso. Som desligado e a música “puts puts” vinda do segundo andar da academia, onde ficava a musculação, ecoava na sala. Era impossível relaxar. No lugar da música lenta, as vozes das alunas que conversavam entre si. Devia ser uma linha diferente de Yoga, pela qual eu não procurava.

Saio de lá e passo em um instituto na mesma rua. Nove horas da noite, portas quase fechadas. Enquanto a recepcionista conclui a matrícula com um novo aluno, eu estico meu pescoço para dar uma espiada na sala ao lado. Colchões no chão, incenso, energia que sinto na pele… “É isso!”, penso.

Uma mulher em torno de seus 35 anos aparece quase que na ponta do pé, com um adesivo na testa, na direção dos olhos. Ela estava inteiramente de branco, com alguns colares e um sorriso sereno. Parecia cena de filme, quando aparece exatamente aquilo que você esperava e o mundo para ao som de uma música de fundo que no jornalismo chamamos de “BG”. Mas dessa vez o som estava apenas na minha cabeça, claro.

Tudo continuaria perfeito se na cena seguinte a secretária me passasse um valor acessível para eu fechar mesmo sem ter feito aula experimental, mas os R$ 150,00 para frequentar apenas uma vez por semana não cabia no meu bolso.

Semana seguinte. Em uma sala de 2m X 2m começo a minha terceira tentativa. No espaço pequeno, nos apertamos para conseguir fazer os movimentos… “licença” daqui, desvio dali e tudo certo… O ambiente, apesar de pequeno, me agradava.

“Fixe bem o seu olhar em um ponto alto. Sinta o momento, a energia…” Pára! O jeito que falava parecia narração de uma matéria de desastre de um telejornal. Falava forte, quase como em uma briga. O problema era comigo? Eu que estava sendo tão rigorosa? Não importava… meu corpo pedia uma coisa e era ela que eu estava procurando.

Om Maha Ganapataye Namaha

*ouça aqui o mantra durante a leitura:

Demorei mais de meia hora para encontrar o local. Segundo meu primo, “eu me esforço para ser assim”… Mesmo com GPS em mãos, não conseguia chegar à rua. Desliguei o celular e optei pelo antigo boca a boca.

Paro o carro na rua e entro correndo no prédio para fugir logo do vento. Estava frio…

– Boa noite… eu queria saber como funciona o esquema aqui…

– Se você não for da área de comércio, pode usufruir as atividades como “usuária”, pagando 57,00 por ano. Dependendo da aula que quiser fazer, tem um valor mensal.

– Vocês tem Yoga?

– Temos sim! Duas vezes por semana custa 60,00 por mês para você que é “usuária”. Aliás, daqui meia hora tem uma aula gratuita. É semana especial.

Roupa trocada, chinelo no pé e pronta para mais uma tentativa! Ainda tinha tempo e resolvi conhecer o famoso Sesc que todos falavam. Como nunca havia ido lá? Fiquei impressionada com a beleza, os aparelhos novos, as inúmeras modalidades, os diversos horários e claro, os baixos valores.

Dezenove horas em ponto, hora de entrar na sala. Quase já não havia lugar para sentar… estava cheio. Peguei minha esteira e fui para outro lado, em um canto um pouco escondida. Preferi assim. As luzes se apagaram e o som “ao vivo” daquela dupla foi relaxando meu corpo aos poucos. Fecho os olhos.

“Om Maha Ganapataye Namaha” era cantado repetidamente se juntando às vozes dos frequentadores. Mais tarde vinha descobrir que a frase significa “saúdo grande Ganesha que remove os obstáculos e dificuldades do caminho” (viva o Google!)

Com o dedão da mão direita somos orientados a fechar a narina direita enquanto expiramos com o canal que estava livre. Inspiramos sem as mãos tampando o nariz e em seguida, fazemos o mesmo, agora do outro lado: dedo mindinho obstruindo a narina do lado esquerdo.

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Alongamos, fizemos as poses com significados até agora não descobertos por mim e relaxamos…

Guru Brahma (Guru é o criador Brahma)

Guru Vishnu (Guru é o preservador Vishnu)

Guru Devo Maheshwarah (Guru é também do destruidor Shiva)

Guru Sakshath Parambrahma (E ele é a fonte do absoluto)

Tasmai Shri Gurave Namaha (Eu ofereço todo o esforço do meu trabalho ao Guru)

Deitada, com os braços ao lado do corpo finalizamos a aula de uma hora de duração. Passou rápido pela primeira vez…

Com o papel ao lado acompanho em voz alta o mantra:

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu… (“Que todos os seres sejam felizes”)

Enfim encontrei o lugar.

Om, Yoga, Namastê!

Suspiro satisfeita.

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