RESENHA: Ginger & Rosa

“A única vida é a que temos agora, a qual devemos aproveitá-la, e viver.” Essa frase faz parte do diálogo entre Ginger e o pai. A garota de 17 anos conversava com ele sobre o interesse em se tornar ativista na campanha antinuclear. Eles estavam em 1962, auge da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. O pai dela, um renomado professor e escritor pacifista da época, dava apoio à filha e compartilhava com ela a visão de mundo que tinha e os seus ideais de liberdade. Até esse momento, Ginger idolatrava o pai, enquanto possuía uma relação conflituosa com a mãe.

Ginger-e-RosaAssim como suas mães, Ginger e Rosa eram melhores amigas. As duas nasceram no ano em que os americanos jogaram as bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki. 17 anos depois, as duas eram inseparáveis e viviam intensamente as descobertas típicas da idade. Experimentavam cigarros, bebidas e garotos. Também entravam juntas na banheira para deixar as calças jeans mais justas e usavam o ferro de passar roupas nos cabelos.

Só que o contexto mundial conflituoso iria por em evidência as diferentes personalidades das duas jovens. Enquanto Rosa era religiosa e sonhava em encontrar um amor para toda a vida, Ginger queria salvar o mundo de uma possível guerra atômica na chamada Crise dos Mísseis de 1962.

Essas diferenças começam a ser reveladas de maneira sutil. Ainda no início, as adolescentes conversam na banheira enquanto lêem um jornal voltado para o público feminino. Rosa comenta uma reportagem: “Garotos não gostam de garotas que são muito sérias”, Ginger, que sonha em ser poeta, olha com desdém e comenta: “Interessante.” A partir dessa cena, percebemos que a distância entre as até então inseparáveis amigas só tende a aumentar.

“Assim é a maneira que o mundo acaba. Não num estouro…”, Ginger lê T. S. Elliot em um determinado momento do filme. No decorrer da história, percebemos que esse estouro se revelaria mais como uma metáfora para a crise pessoal vivida pela garota do que como medo de uma catástrofe mundial.

UnknownQuando os pais se separam, Ginger decide morar com o pai. Ele, que usa como desculpa o ideal libertário para assumir atitudes egoístas, começa a se envolver com a melhor amiga da filha. Até aquele momento, ela ainda idealizava as figuras do pai e de Rosa. Só que a idolatria pelos dois passa a ruir e a jovem recorre aos padrinhos gays e a uma ativista norte-americana.

Cada vez mais distante de Rosa e engajada nos movimentos antibomba, Ginger tenta ignorar o romance entre o pai e a amiga. Ou pelo menos, não pensar muito sobre isso. Até nos momentos em que as duas jovens entram em conflito, o caso não é discutido claramente.

– Quem você pensa que é? Não se importa com o futuro mais?
– Nem todos podem salvar o mundo inteiro. Algum de nós tem de se concentrar em uma só pessoa.

imagesO ápice do filme se dá logo após Ginger voltar da cadeia. Ela fora presa durante um ato do movimento antibomba. A jovem estava assustada com a postura dos líderes mundiais em relação à crise nuclear e também com o rumo que sua vida estava tomando. Na sala de casa, todos os principais personagens estavam reunidos em torno dela pendido para ela falasse sobre o que a angustiava tanto. A cena apenas coroa uma atuação impecável de Elle Fanning. A atriz de 14 anos já havia surpreendido no filme de “Em Algum Lugar”, de Sofia Coppola, e dessa vez consegue dar toda a carga dramática que a personagem pede.

A roteirista e diretora do filme, Sally Potter, nos presenteia com um filme forte e profundo que usa o contexto mundial da época para mostrar o rito de passagem da adolescência para a fase adulta. A fotografia e direção de arte também se destacam. A obscuridade da época é representada pelas cores escuras e pouca iluminação, que contrastam com os cabelos ruivos da personagem principal. A última cena de “Ginger & Rosa” é a da personagem de Fanning escrevendo uma carta para amiga.

“O que realmente importa é viver. E se a gente viver, não terá nada pra se perdoar.”

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