REPORTAGEM: Setembro é mês de rock, bebê!

“Estava ouvindo Muse ontem. DEMAIS!”, escrevo no WhatsApp da Paulinha.

“Já começaram os testes pro Rock in Rio. Passei a tarde escutando um monte de banda”, ela responde algumas horas depois.

“Quatro dias para a gente se ver!!”

“Quatro!!”

Contagem regressiva.

cidade do rockAgora falta apenas um dia para abertura da quinta edição do Rock in Rio no Brasil e a ansiedade é crescente. A mala já está quase pronta e só falta mesmo é chegar o momento de embarcar rumo à cidade maravilhosa.

Como jornalista tem um orçamento, digamos, restrito, escolhi apenas um dia para curtir o festival. No restante do final de semana, pretendo me esbaldar de sol e banho de mar. Uma cervejinha gelada pode ser também.

E para isso não poderia ter uma companhia melhor. A tal Paulinha que converso pelo celular é minha amiga desde 2006. Nos conhecemos durante um intercâmbio na cidade de Montreal, Canadá. Desde então nos tornamos companheiras, confidentes, enfim, tudo que uma amizade dá de regalias.

Não nos vemos desde fevereiro. Como ela atualmente mora no Rio de Janeiro e eu em Campinas, temos que apelar para as tecnologias para ficarmos a par da vida uma da outra.

“Que roupa eu levo para a gente sair na sexta-feira?”, me utilizo da típica pergunta feita para as amigas. Só para puxar papo mesmo, já que, como disse, a mala está praticamente pronta.

“Algo leve, tipo um vestidinho.”

Entro no site do Rock in Rio para conferir (mais uma vez) a programação do dia 14. Muse e Florence and the Machine são as principais atrações do “Palco Mundo”, que ainda conta com as apresentações do Thirty Seconds to Mars e do Capital Inicial.

No “Palco Sunset”, me chamam a atenção os shows do The Offspring e do Altoramas e BNegão. Os demais nomes, com exceção da homenagem ao Raul Seixas, não me parecem familiar.

Assim como em 2011, serão 7 dias de evento que reunirá artistas como Beyoncé, Iron Maiden, Bon Jovi, Alice in Chains, Justin Timberlake, e Metallica.

Volto ao celular. Dessa vez acesso o aplicativo “Música”. “Madness” é a escolhida para tocar enquanto escrevo.

“Mad mad mad
I…
I can’t get this memories out of my mind
And some kind of madness
Has started to evolve…”

 “They try to make me go to the rehab”
amy winehouseCom uma taça de vinho tinto na mão, Amy Winehouse saudava o público. Há cerca de uma semana a presença dela no festival, que pela primeira vez acontecia em Madrid, era dúvida. Motivo: a cantora inglesa havia sido mais uma vez internada devido aos excessos com drogas e álcool.

Mas desafiando todas as previsões, eis que ela estava lá. Usava um vestido amarelo curto e decotado que deixava suas tatuagens em evidência. Exibia o característico topetão no alto da cabeça e parte dos longos cabelos negros soltos. A maquiagem pesada também não poderia faltar, com destaque para o grosso traço do delineador nas pálpebras superiores.

Bem mais discreta que ela (logicamente), eu vestia uma bermuda jeans e uma camisa da seleção espanhola de futebol. O grupo havia acabado de ser consagrado campeão da Eurocopa, feito inédito até aquele momento. Do meu lado, meu amigo Fabinho. Assim, como eu, ele mora em Campinas, mas por motivos diferentes estávamos no show da então  atual diva da música inglesa. Só que para acompanharmos a Amy, optamos pela cerveja em detrimento do vinho.

O ano era 2008 e a escolha pela capital espanhola para sediar uma edição do festival era vista como natural, uma vez que desde 2006 o Rock Rio já acontecia na companheira de Península Ibérica Portugal. Naquele ano, além de Amy Winehouse, tocaram em Madrid artistas como Franz Ferdinand, Bob Dylan, Jack Johnson, Lenny Kravitz, Neil Young e Shakira. Atualmente, o Rock in Rio Madri já está na terceira edição, enquanto o Rock in Rio Lisboa, na quinta.

“(…)He walks away,
The sun goes down,
It takes the day but I’m grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own (…)”

O sol ainda se exibia no céu quando identifiquei os primeiros acordes da minha música preferida do repertório da artista “topetuda”. Dei um gole na cerveja, levantei o braço com o dedo indicador apontando para cima e mostrei toda a minha afinação ou falta dela. Era verão na Europa e o dia estava particularmente quente. Sorri satisfeita.

Caso antigo
Anthony Kiedis e Flea ainda estavam longe de lançar “Blood Sugar Sex Magik”, o álbum do Red Hot Chilli Peppers que consagrou a banda, quando o Rock in Rio aconteceu pela primeira vez. Em 1985, o grupo californiano completava apenas dois anos e tinha ainda muita estrada pela frente.

Situação bem diferente em 2011, quando o Red Hot chegou ao Rio de Janeiro como uma das principais atrações do festival, que há 10 anos não acontecia no Brasil.

red hot 2001Na edição anterior, ocorrida em 2001, eu tinha somente 14 anos e o vocalista da banda ainda exibia uma cabeleira descolorida. Eu era da geração MTV e aguardava ansiosa a cada clipe lançado do sétimo álbum de estúdio do Red Hot intitulado “Californication”. Até hoje o mais bem-sucedido comercialmente, tendo vendido mais de 16 milhões de cópias em todo o mundo.

O CD era solicitado sempre que eu voltava da escola.  Eu ligava o aparelho de som, me deitava na cama e sonhava acordada com o vocalista da banda. A música “Scar Tissue”, uma das mais tocadas. Acompanhava tudo pelo encarte e me arriscava a cantar baixinho.

Já (bem) mais grandinha, 10 anos depois, escolhi o sábado em que Anthony e sua trupe iriam se apresentar. Quando os ingressos começaram a ser vendidos, aguardei ansiosa em frente ao computador. E por pouco não consegui comprar os meus, já que as entradas se esgotaram em apenas quatro dias. Em 2013, os ingressos se esgotaram em poucas horas.

25 de setembro de 2011. Ingresso em mãos, documentos, dinheiro, cartão. Tudo pronto. Ainda era manhã quando saí do hotel. O show a ser apresentado no festival fazia parte da turnê do álbum, “I’m With You”. Confesso que eu tinha parado de acompanhar o Red Hot alguns anos antes, contudo, minha admiração (e paixão) continuava a mesma.

O dia foi longo e marcado por filas intermináveis. Tive a impressão que havia mais gente do que o local permitia, pelo menos para ter um ambiente confortável. Lixo pelo chão, comida e bebidas caras. Para se ter uma ideia, uma ida ao banheiro demorou o tempo exato do show do NX Zero, não que eu fizesse alguma questão.

Reclamações à parte, depois da atração nacional, uma forte chuva marcou o surpreendente show do Stone Sour, que foi seguido pelo Capital Inicial (“Cuidado pessoal, lá vem vindo a Veraneio…”) e Snow Patrol (da música depressiva “Open Your Eyes”).

Excitação misturada com uma leve bebedeira.

red hot 2011

O som forte da guitarra denunciara a música “Monarchy of roses”. Anthony Kiedis, com os cabelos pretos e sem o menor vestígio de descoloração, vestia uma camisa vermelha, boné e exibia um estiloso bigodinho, enquanto Flea usava uma camisa do Brasil (aí já ganha a plateia de cara, né?). As dores nas costas de um dia praticamente de pé desaparecera.  Meu ídolo da época em que eu era adolescente estava a poucos metros. Era invadida por uma sensação de alegria e realização pessoal. Meus olhos brilhavam.

Naquele momento, eu me perdera do pessoal que me acompanhava no festival. Amigos de amigos que eu descobrira que iriam ao Rio no mesmo final de semana que eu e que eu me infiltrara no grupo sem o menor problema.  Mas pouco me importava. Anthony Kiedis estava lá no palco cantando canções da minha época de groupie.

Mais de 700 mil pessoas conferiram os sete dias de festival em 2011. Além de Red Hot, no line-up havia artistas para todos os gostos como Guns N’ Roses, Katy Perry, Rihanna, Shakira, Slipknot, Coldplay, Metallica e Sepultura.


“Pro dia nascer feliz”
barao vermelhoO Brasil dava os primeiros passos rumo à democracia quando o Rock in Rio foi idealizado e realizado pelo empresário Roberto Medina em 1985. Pela primeira vez, um país da América do Sul era sede de um evento musical desse porte.

Na primeira edição do hoje maior festival de música do mundo, 28 bandas nacionais e internacionais se apresentaram na Cidade do Rock, uma área de 250 mil metros quadrados construída especialmente para o festival. Entre os principais nomes do evento, AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen e os brasileiros Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho.

Foi nesta edição do Rock in Rio, inclusive, que a banda liderada por Cazuza se consagrou no cenário musical brasileiro. Tanto que neste ano, Cazuza será homenageado no primeiro dia do festival.

Quase 30 anos depois, mais de 6 milhões de pessoas se esbaldaram nas 12 edições. Dados que serão atualizados somente após o final da 13a edição no próximo dia 22 de setembro.

Insônia. Ansiedade.

Desligo o celular. Agora é a vez de acessar o Youtube. Vou na seção dos meus vídeos favoritos e escolho um da Florence and the Machine.  “Never Let Me Go” é uma canção mais calminha e talvez me ajude a dormir. Talvez. Checo o horário e já está tarde. Amanhã ainda é dia de “bater o ponto” no trabalho. Cantarolo mentalmente antes de adormecer.

Looking out from underneath,
Fractured moonlight on the sea
Reflections still look the same to me,
As before I went under

And it’s peaceful in the deep,
Cathedral where you cannot breathe,
No need to pray, no need to speak
Now I am under

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