RESENHA: A delicadeza do amor

Si je pouvais bâtir,
Un soleil, un empire
Pour toi,
Sans hésiter
Cent milles fois,
Je le ferais

Si je pouvais tout changer
Et si je pouvais braver
La mort, j’irais te chercher
Plus jamais je ne te quitterais

images Ao som da música “Mon chevalier” da cantora francesa Emilie Simon, a personagem Nathalie, interpretada pela atriz Audrey Tautou (a eterna Amelie Poulain), caminha desolada pelas ruas de Paris. Cabelo preso, olhar perdido. Ela veste um pesado casaco cinza que esconde os pijamas. Pelo caminho, cruza com um casal feliz que pede para ela tirar uma foto dos dois, justamente em frente ao café onde Nathalie conhecera o marido. Ela acata ao pedido e continua o trajeto sem destino. Para aonde ir se a dor insiste em fazer companhia independentemente do rumo escolhido?

A cena escrita aparece no filme francês “A delicadeza do amor”. A história é baseada no livro “A delicadeza”, de Stéphane Foenkinos, que também divide a direção com David Foenkinos. O livro vendeu mais de 1,2 milhão de exemplares na França e foi selecionado para todos os prêmios da rentrée literária do país (Medics, Remaudot, Femina, Interrallié e Goncourt). 

Nathalie é uma jovem executiva que até então possuía a vida almejada se não por todas, mas por quase todas as mulheres. É bem-sucedida, bonita e vive um casamento em eterna lua de mel. Só que esse conto de fadas termina quanto o marido dela morre atropelado. A perda prematura do amor da vida dela força Nathalie a encarar a realidade. Ela estava sozinha e perdida.

A maneira que ela escolhe para lidar com a dor é mergulhar no trabalho. O que  é bastante compreensível. Mais de três anos se Unknownpassam e ela esbanja uma carreira em ascensão. A única pedra no sapato dela são as investidas sempre frequentes do chefe, que por sinal é casado.

Em mais um dia de trabalho, Nathalie escuta uma colega comentando em tom de fofoca que ela não tinha vida pessoal e que era workaholic. Até aquele momento, Nathalie não havia se dado conta que o tempo estava passando e ela continuava sozinha, que havia abdicado da vida pessoal desde a morte do marido.

No mesmo dia, um de seus funcionários bate à porta: Markus. Ele era gordinho, careca, desengonçado e até brega. Num ímpeto de tentar sentir-se viva, Nathalie caminha em direção a ele e, decidida, o beija sem dizer nada. Depois se despede como se nada tivesse acontecido.

A ação irracional da personagem interpretada por Audrey Tautou poderia ser encarada apenas como uma loucura de alguém que ainda não superara a morte do marido, poderia, se o outro envolvido não tivesse ficado mexido. E esse encontro improvável entre a “bela e a fera” também vai dar um novo rumo para a vida de Nathalie. Ela se identifica com o jeito melancólico de Markus e, por causa dele, vai aos poucos abandonando o luto.

Unknown-1O vazio deixado pela tragédia que marcara sua vida vai sendo preenchido pelo desengonçado sueco que vivia há 15 anos na França. E ela volta a sorrir.

Eu assisti ao filme alguns meses depois de ler o livro. É incontestável que a presença da autora do romance na direção e no roteiro do filme foi fundamental para manter o enredo fiel. Em nada a versão apresentada nas telonas perde para as páginas do livro. A sutileza como a história é contada é emocionante. Se torna fácil se identificar com a protagonista. Assim como Nathalie, também nos apaixonamos por Markus. Ele também nos encanta e nos faz rir.

Seja no livro ou no filme, Stéphane Foenkinos conseguiu contar uma história pesada sobre a superação do luto de forma despretensiosa e até leve. A última cena mostra Nathalie sorrindo com sinceridade. Ela, enfim, havia conseguido se sentir feliz novamente. Já eu também sorri, só que de emoção por ter tido o privilégio de ter acesso a uma história tão bem contada, seja por meio do livro ou do filme.

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