REPORTAGEM: Por outro ângulo

Dezenas de prédios de quinze, vinte, trinta andares… construções enormes que se misturam com as nuvens do céu. Mas agora, eu olhava de um ângulo diferente… enxergava o topo de cada um desses prédios abaixo dos meus pés.

Olho para frente e vejo o lago Michigan, o maior de água doce dos Estados Unidos. Barcos que de longe eram apenas pequenos pontos brancos… dou uma volta e por quase 360 graus, enxergo a cidade de Chicago, em Illinois, com um pouco mais de dois milhões e 700 mil habitantes.



Willis TowerA vista impressionava cada um dos vinte e cinco mil visitantes diários.

Um prédio, 104 elevadores, 149 funcionários. A Willis Tower, que é 243 metros mais alta que o ponto mais alto de Illinois, pode ser vista por mais três estados: Michigan, Wisconsin e Indiana.

E eu estava ali, no 103º andar. Ofegante, com o coração acelerado, um pequeno medo surgia. Estava em pé em um bloco transparente, onde conseguia ver tudo ali, abaixo de mim.

A fila é grande para subir e em um caracol, íamos lendo informações nas paredes. Foram necessários três anos, um mês e dez dias para construir a torre. Engenheiros desenvolveram seis máquinas automáticas que limpam as janelas, o que leva de três a quatro semanas para concluir o trabalho.

Canso só de ler: 2.232 degraus para chegar ao topo. O recorde até hoje foi de aproximadamente treze minutos. Uma vez por ano, milhares de pessoas entre seis e 79 anos “apostam corrida” para arrecadar dinheiro, mas a maioria demora de trinta a quarenta minutos para completar o percurso. Eu levei apenas um minuto. Graças a Deus.

As portas dos elevadores abrem. Entro e olho o número aumentando rapidamente na tela digital. Vigésimo primeiro andar: passamos a altura do Taj Mahal, na Índia. Vigésimo quarto andar: ultrapassamos a Estátua da Liberdade. Quadragésimo terceiro andar: Pirâmide do Egito. Quinquagésimo segundo andar: Gateway Arch, em Saint Louis.

Os números crescem rapidamente… sexagésimo oitavo andar: acabamos de passar a Transamerica Pyramid, um dos arranha-céus mais altos do mundo, em São Francisco, na Califórnia, com 260 metros de altitude. Octogésimo nono andar: a Torre Eiffel ficou pequena…

Sinto meus ouvidos doerem… começo a bocejar para “destampar” um dos lados. Já no nonagésimo oitavo andar, ficamos mais altos que o Empire State Bulding Roof, que foi o edifício de maior altitude do mundo por 40 anos, até perder o posto para o Word Trade Center. Após os ataques do dia 11 de setembro, voltou a ser o mais alto edifício de Nova York, mas continuou em terceiro lugar nos Estados Unidos.

O pequeno apito anuncia que chegamos ao topo do prédio mais alto do país.

Rumo aos EUA

Chego na sala reservada para o grupo que vai decolar em poucas horas.Trinta e três pessoas prestavam atenção nas explicações e em pouco tempo, estávamos no ar.

Dez horas de viagem. “Bem vindos ao aeroporto de Chicago”. Passo no Starbucks Coffee e mato as saudades de um chocolate quente.

Entre um passo e outro, converso com os integrantes do grupo que agora faço parte, os agricultores rurais que embarcavam rumo aos nove dias de viagem técnica pelas lavouras, fábricas, feira agrícola e usinas. As idades variam dos 26 aos setenta e poucos anos… maioria homem.

Entramos no segundo avião. Um bem pequeno agora, que nos levaria a Saint Louis, em Missouri, cidade que recebeu meu irmão mais velho há 16 anos, quando chegava pela primeira vez no país.

Entro no hotel e me impressiono com a qualidade. Primeira vez que viajava para ficar tanto tempo fora do país a trabalho e já dei sorte de me hospedar em um dos melhores hotéis da cidade, de 300 mil habitantes. Pé direito alto, banheira no cômodo, lustres e poltronas antigas no quarto e uma cama de dar inveja. Deixo minhas coisas e partimos para conhecer a redondeza.

Mar vermelho

Era minha primeira vez em um jogo de basebol. Arquibancada lotada. Quase todas as 45 mil pessoas estão com a cor do Cardinals, um dos principais times e dono daquele estádio.

O mar vemelho de gente levanta em uma espécie de “onda”. Fogos no céu. Ponto para o Cardinals. Não entendo o porquê, mas continuo assistindo.

Um jogador lança a bola, o outro rebate, ela se perde no céu e eles começam a correr. Crianças, homens, mulheres, idosos… todos falam ao mesmo tempo e o murmúrio vira a trilha sonora do jogo.

“O que está acontecendo?”, continuo sem entender…

Estamos em pé. E não podemos ultrapassar a linha. Sentar nas cadeiras exigia um investimento de mais de cem dólares, cerca de 260 reais. Estava ótimo encostado na parede mesmo. Saio e compro uma cerveja, quente. Peço para trocar e vem uma um pouco melhor, mais ainda assim, morna. Desisto e bebo assim mesmo.

Entro na fila da pipoca e descubro que naquele dia havia refil se comprasse o pote em formato de chapéu de basebol, que hoje enfeita minha cozinha. Conheço uma jovem mãe de duas crianças, que levava os filhos para a diversão preferida deles. Um, de seis anos de idade, a outra, de apenas três. Vestida como uma animadora de torcida mirim, ela vibrava a cada movimento como quem entendesse as regras. Espero que não, pois com os meus 23 anos a mais fui embora ainda sem compreender como funciona um jogo de beisebol.

É dada a largada para as visitas técnicas

Uma espécie de elevador que sobe na diagonal nos leva ao topo do Gateway Arch, de 192 metros de altura. Parecia que entrávamos em uma nave espacial. Em um pouco mais de um metro quadrado eu e mais três pessoas nos acomodamos nas pequenas cadeiras para subir. Lá de cima, as janelas estreitas nos presenteavam com a vista da cidade, e lá em baixo, o Rio Mississipi trazia o reflexo do arco em suas águas.

Das 33 pessoas que nos acompanhavam, no máximo dez entendiam inglês. A cada frase que o guia norte americano falava para explicar sobre o terminal de grãos da Cargil, Daniela Mitri Karcher, uma menina (que mais tarde descobria ser já mulher, apesar de não aparentar) traduzia simultaneamente as informações.

Morena, com cerca de um metro e sessenta centímetros de altura, a guia da agência de viagens conquistava todos com sua simpatia e paciência. O sotaque de Porto Alegre era motivo de piada. Sempre amigável, claro.

“Pessoaaaaal, ele está dizendo que esta é apenas um das 25 unidades da Cargil que ficam na margem do Rio Mississipi. Em todo o estado existem 150 terminais como este. Os grãos vêm direto das fazendas e daqui partem para New Orleans de navio para depois serem exportados”.

Entramos no ônibus novamente. Agora rumo a Waterloo, uma pequena cidade de Illinois. Nas mãos de Kenny, somos levados de um canto ao outro dos Estados Unidos. Alto, cabelos brancos e um sorriso contagioso. O senhor de 72 anos não apresenta cansaço nem falta de disposição. Todas as manhãs nos recebia com um longo “Good morniiiing” e de mala em mala ia enchendo o espaço inferior do ônibus.

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Chegamos à primeira fazenda. As plantações de milho, soja e trigo cobrem os 4.500 hectares dos “Hartman”, o equivalente a 45 quilômetros quadrados. A agricultura é a forma de sustento da família desde 1860, quando o bisavô do produtor chegou nos Estados Unidos. Sessenta anos depois, os parentes mudaram para a pequena cidade, onde agora nos encontrávamos. Desde aquela época, a família de Seo Kenny, xará do nosso motorista, utiliza aquelas terras para o sustento.

Mas nesses cem anos, o avanço da tecnologia transformou o espaço. O trabalho que antes exigia dezenas de funcionários para o cultivo daquelas culturas, hoje, era feito por apenas três pessoas. Com cerca de um metro e noventa de altura, cabelos brancos e traços alemães, Kenny trabalha ao lado da mãe, que não possui um fio preto na cabeça, e de um funcionário. Juntos, os três dão conta de todo o trabalho na propriedade operando cinco tratores, plantadeira, distribuidora de adubos e grade aradora. Tudo de uma só marca: a John Deere.

Sou convidada a entrar na casa da dona Joann, mãe do Kenny. Simpática, ela abre as portas e começa a apresentar com orgulho os objetos da marca. Pano de prato, potes de vidro, relógio, imã, calendário, luva, enfeites, quadros e até bonecos de um metro de altura na sala vestidos com macacão da John Deere. O fanatismo mostrava uma característica marcante nos agricultores norte americanos: a paixão não era retratada por bandeiras de times de futebol como aqui no Brasil, mas por objetos de uma empresa agrícola.

A viagem havia sido organizada por um concessionário da John Deere que possui quatro unidades no Mato Grosso e uma no Mato Grosso do Sul.

A cidade que não é dos Simpsons

Springfield, capital de Illinois. Chegamos na menor capital em que eu já visitara. Apenas 16 mil habitantes…

Entro em um taxi e logo puxo assunto com o motorista: afinal, essa é a cidade dos Simpsons?

Ele ri. Penso que deve ser a pergunta que mais ouve de turistas. Existem pelo menos 16 cidades com este nome apenas nos Estados Unidos. As quatro mais conhecidas que ficam em Missouri, Illinois, Massachusetss e Virgínia teriam até disputado a origem do desenho animado.

Mas não deixa de ser uma cidade importante. O 16º presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, morou em Springfield. Ele ficou conhecido por ter abolido a escravidão.

O dia amanhece quente. Trinta e cinco graus, com sensação térmica de quase 40! Impossível não transpirar fora do ar condicionado. Passo protetor solar até na ponta da orelha e desço do ônibus. Em meio aos 500 expositores, ando no corredor que divide os estandes. Era a Farm Progress Show, a maior feira de tecnologia agrícola ao ar livre dos Estados Unidos, que neste ano acontecia em Decator, Illinois.

Durante três dias, o evento recebe em média dez mil visitantes internacionais, dos quais quatro mil são sul americanos e entre eles, nosso grupo, que agora chegara aos 38 integrantes, contando comigo e o cinegrafista, que a essa altura já nos sentíamos da “família”. Para os agricultores, este era o momento mais esperado: conhecer de perto os lançamentos do mundo agrícola. Máquinas gigantes e modernas chamavam a atenção dos produtores que perto delas, se tornavam pequenos.

Enchendo o bucho

Fina? Eu? Nem um pouquinho… ainda mais em restaurantes tão fartos quanto aqueles que visitamos.

Comida era o que não faltava. Restaurantes animados e diferentes nos divertiam todas as noites. A mesa em forma de “U” permitia que lá no centro ficasse o cozinheiro. Um fogaréu subiu um pouco mais de um metro de altura anunciando que o show começava.

Ele joga o ovo para o ar e pega com a espátula. Transforma a cebola em um vulcão, lança a gema, ainda mole, para o alto, e pega novamente sem quebrá-la. Faz um batuque com os instrumentos de trabalho e quebra os ovos com apenas uma mão. Ovo frito! Aos poucos ia arremessando para cada boca aberta.

Em outro restaurante, duas grelhas com cerca de dois metros e meio por um metro cada, acomodavam os bifes, frangos, batatas e legumes. Cada cliente escolhia o que queria comer e virava churrasqueiro do próprio prato.

Já no Dick´s, em Chicago, o centro das atenções não era a comida, mas a forma que ficávamos depois de uma hora no restaurante. Aos poucos, chapéus feitos de papel eram colocados em nossas cabeças pelos garçons. Cada um com um significado diferente. Uns com desenhos, outros com frases, mas todos engraçados.

Pé na estrada

Os quilômetros percorridos na rodovia não acabavam… o grupo agora ia em direção à Galva, onde visitou a Big River Resources, uma usina de etanol que funciona desde 2009, produzindo 415 milhões de litros por ano. Para conseguir atingir este número, consome em média, 2800 toneladas de milho por dia! E quem abastece a usina são os agricultores daquela região, como era o caso de James, dono de uma propriedade de quatro mil hectares.

Era um dos locais mais quentes que visitamos. Debaixo daquele galpão dividíamos o espaço com dez máquinas agrícolas. Fomos logo recebidos com um almoço e em seguida começaram as explicações.

“Quem quer me dar entrevista?” Todos fugiam… era um parto para convencer um agricultor do grupo a falar de frente com a câmera. Vitória para gente! Dois concordaram e a entrevista começou.

Eu e Marcelo ainda comemorávamos a boa “sonora” que havíamos conseguido. Enquanto isso, gravávamos a “passagem” da matéria, lá atrás do enorme silo, ao lado do matagal. Ops, milharal! Corrijo antes que um deles brigue comigo.

Trabalho quase no fim… vamos voltar para entrevistar o produtor! Mas… cadê ele? As pessoas também sumiram… devem estar conhecendo o outro lado da propriedade. Mas o ônibus não está aqui… será que foram visitar um local distante? Vamos esperar!

O dono da fazenda sai do banheiro enxugando o rosto, arregala os olhos e pergunta: “O que estão fazendo aqui?” Descobrimos que pela primeira vez, havíamos sido deixados para trás… tudo bem, não criemos pânico. “Me empresta o telefone?” Eles não podem estar longe… Como será que esqueceram nós dois se sempre fazem chamada? E ainda sentamos nos primeiros bancos! Acho que estamos muito discretos… temos que dar mais trabalho.

As últimas visitas técnicas

Chegamos em Moline, ainda no estado de Illinois. O pavilhão da John Deere reunia desde a primeira máquina comercializada pela marca até a mais moderna do mercado. Nas paredes, fotos e histórias que contavam um pouco a trajetória da empresa.

O nome não foi criado por acaso. John Deere fundou a marca em 1837 depois de ter criado um arado de aço polido. Daí para frente, as máquinas foram sendo aperfeiçoadas e a empresa, se expandindo para outras áreas.

O pavilhão, que existe desde 1998, recebe cerca de 240 mil visitantes por ano. O local escolhido foi em frente ao prédio que um dia sediou a primeira fábrica da John Deere.

Em um canto, uma frase com letras grandes escritas na parede me chamou a atenção: “Em 2050, a população mundial chegará a nove bilhões de pessoas”. Ouço um barulho e olho para baixo. Sementes caindo em uma caixa transparente davam a dimensão desse crescimento. A cada feijão que saía do tubo, cinco crianças nasciam no planeta. E o grão caía a cada dois segundos… Ou seja, por dia, 216 mil pessoas nascem no mundo.

Enfileirados em um carrinho usado no tour da fábrica de colheitadeira, sentamos de dois em dois nas poltronas. Óculos transparentes eram obrigatórios para entrar, e com o fone no ouvido íamos acompanhando a tradução simultânea. Aos poucos, o grupo avançava nos corredores, entre máquinas gigantes e peças usadas na fabricação das colheitadeiras. Em 1912 foram investidos 40 milhões de dólares para a construção da fábrica e atualmente mais 100 milhões de dólares estão sendo investidos para uma reforma. Eram 35 hectares de construção, o equivalente a vinte campos de futebol. Na parte externa, mais 108 hectares completavam a primeira fábrica construída da John Deere.

Um enorme gancho segura a colheitadeira quase na fase final e em alguns segundos, mergulha a máquina em uma piscina para tirar as impurezas. Esse processo se repete em tanques diferentes, e enfim o equipamento é mergulhado em uma solução verde, ganhando a cor da marca. Apesar de ser tudo mecanizado, dois mil funcionários trabalham ali.

Em cada seção, máquinas com refrigerante e água, daquelas que se colocam moedas para pegar a bebida. Percebi que era horário de almoço, quando passamos por cerca de quinze funcionários comendo pizza sentados em volta de uma só mesa. Televisão ligada no noticiário. Os trabalhadores dividiam ali os confortos do dia a dia com as colheitadeiras sendo fabricadas.

Bem-vindo a Chicago

Pela janela do ônibus observava a cidade passar. Prédios, pontes, rios… A natureza dava vida às construções. Os ouvidos estavam voltados às explicações da guia, dessa vez brasileira, e os olhos, concentrados na paisagem.

Millenium Park, um dos pontos turísticos da cidade. Descemos do ônibus pela primeira vez e seguimos a mulher que há cerca de 20 anos mora em Chicago. De repente paramos em frente a um grande espelho. O formato deu origem ao nome popular: “The Bean”, o feijão. Nele, era possível ver o reflexo do céu, das pessoas que caminhavam no parque, das árvores, dos arranha-céus.

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A paz que aquele lugar trazia, foi esquecida assim que fizemos a segunda parada do tour. Estávamos no alto. E através dos vidros, víamos centenas de pessoas conversando, milhares de números mudando nos painéis e os muitos papéis espalhados pelo chão. Era a bolsa de valores CME Group, de Chicago. Pela primeira vez cheguei perto de entender como isso funciona. Mas só perto…

Roda gigante, roda moinho, roda pião

Foi com o trecho desta música na cabeça que fui à roda gigante da cidade. É engraçado como tudo é visto de um ângulo diferente. Não me refiro ao ângulo propriamente dito, mas à forma como enxergamos as coisas.

Me sentia pequena e grande ao mesmo tempo. Quando estamos no alto, temos uma visão ampla daquele espaço que de baixo, não conseguimos enxergar. Mas também me sentia grande, com sede de conhecer o mundo.

Paisagens, fotos, conversas, nostalgia e pronto… acabou… tudo muito rápido, mas suficiente para trazer boas lembranças da infância. Em apenas sete minutos e meio, a roda gigante completara uma volta.

Eu e mais quatro pessoas resolvemos seguir para o Museu da Ciência, mas a fila foi a responsável por me fazer entrar sozinha. Era o meu último dia e eu queria aproveitar.

Depois de 40 minutos, compro o ingresso com direito à visita a uma mina e ao submarino. Na trilha escura, ouvimos uma gravação que imitava gotas caindo. Um americano agitado se apresentou e logo acelerou a fala a ponto de eu não entender mais nada. Ria quando todos riam, confirmava com a cabeça quando ele olhava para mim e criava na minha imaginação a história dos mineiros e a evolução das máquinas a partir do que eu via.

Segui para o submarino, correndo para dar tempo. A imitação com alguns materiais originais tornava tudo aquilo muito real. Vi as camas estreitas, a cozinha pequena e ouvi as gravações do que seria um ataque durante a guerra. Mais detalhes não foram possíveis de serem compreendidos. Fiquei me perguntando por que os guias falavam como locutores de futebol.

Fui embora sem poder usar o ingresso do tour especial no submarino que havia comprado. O tempo era curto. Faltavam poucas horas para partirmos.

Já no avião, a sorte de ter sido transferida para classe economy plus, me deixou aliviada. A aeronave estava cheia e alguns passageiros tiveram que viajar na área que era vendida por 160 dólares a mais. Eu era uma das escolhidas.

Sorriso no rosto, três malas e mais uma bagagem para a vida. Decolamos de volta ao Brasil.

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10 Respostas para “REPORTAGEM: Por outro ângulo

  1. juarez claudio

    Parabéns! Que talento você tem para escrever de uma maneira linda e que traduz com perfeição com outra versão. Bendita.

  2. Guilherme

    Uau.. muito legal seu texto.. morri de rir na parte que esqueceram vcs na fazenda.. e olha que andamos uns 10 quilômetros até ver que vcs não estavam dentro do onibus… To rindo até agora… Foi muito legal esses dias que passamos juntos.. vai ficar pro resto da vida.. e eu te falo que eu até suportaria ficar esse restinho de ano lá nos States.. fazendo compras e conhecendo coisas novas.. Abraço e parabéns pelo texto!!

    • Rsrsrs brigada Guilherme!! Seria fácil continuar com aquela vida nesse “finzinho” de ano, né? Mas ainda tem muuuuito trabalho até 2013 terminar!! Hahaha então vamos que vamos e força na peruca!! Rs beijossss e obrigada pela visita no blog!

  3. Estela Gavinho

    Nossa Thais que talento!!! Adorei o texto e o ‘outro ângulo’ em que você viu essa viagem! Muito bacana mesmo, texto leve, de fácil e gostosa leitura! Parabéns! Vocês foram especiais em nossa viagem! E concordo com o Guilherme, a melhor parte do texto foi no momento que narra o ‘esquecimento’ de vocês na fazenda hehehe! Viva o senhor Hélio, que notou prontamente (após 10 minutos) hehehe! Um grande abraço, querida!!

  4. Mario Guilherme lange

    Parabéns Thais!!! não conhecia este teu lado poético e filosófico…Maravilha de texto, além de fotos incríveis.. adorei, um Abraço e que Deus te ilumine sempre,

  5. Hylda Maria T F Albuquerque

    Thais, parabens!!! Pelo menos alguem da familia seguiu os passos do Vovô Alcindo, ele deve estar orgulhoso da tetraneta, pois ele foi um jornalista brilhante e voce será tambem. Que Deus a proteja e guie sempre. Beijos.Vovó Hylda.

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