CRÔNICA: Solteirices

O dia está quente. É sexta-feira e o expediente já chegou ao fim. Almoço, faço as unhas e chego em casa. Pego o celular e mando uma mensagem para minha amiga que mora em Santos: “Musa, ‘tô’ pensando em ir ‘praí’ neste final de semana…” Ela se anima com a proposta e acertamos alguns detalhes. Pego o carro e pé na estrada.

Sábado à noite e divido o espelho com as amigas na hora de se maquiar. A cervejinha gelada para esquentar e animar é colocada na estante ao lado. A fofoca rola solta. Depois de prontas, seguimos para a balada aos risos. A noite promete.

IMG_1135Fernando de Noronha, agosto de 2012. Há quatro dias visitando os pontos turísticos do paradisíaco arquilapélago sem companhia, confesso que já estava quase falando sozinha. Mas fiquei com receio das pessoas pensarem que eu fosse louca… Brincadeirinha (ou não).

Decidira viajar para um dos lugares mais bonitos (e românticos) do mundo durante umas curtas férias depois de quase dois anos sem folga. A proximidade com Natal, minha terra natal, ajudou na escolha do destino. Viajar sozinha nunca fora um problema para mim. Desde nova não via impedimento algum em pegar minha mochila, dinheiro e “até logo pessoal”. E continua não sendo, muito menos quando me refiro a Fernando de Noronha. O pôr do sol que acontece no lado das praias do mar de dentro é um espetáculo que não permite questionamentos pessoais, apenas reflexões.

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Logo cedo o carro da empresa que contratei para fazer o passeio me busca na pousada. Solto um tímido bom dia para o motorista e os demais turistas. A exitação por megulhar com cilindro pela primeira vez me deixa logo falante. Chegamos ao pier e somos orientados a entrar na lancha. Observo os “companheiros” de aventura. Logo noto um carinha com seus 30 e poucos anos a cara do ator espanhol Javier Bardem. Na realidade, eu o havia visto no dia anterior durante o pôr do sol. Comemoro internamente a presença dele no barco comigo. Sempre é bom ver gente bonita, né? “Safadinha”, falariam meus amigos.

O “Javier” brasileiro engata uma conversa com uma estrageira. Suponho que eles estivessem juntos e sossego o “facho”. O condutor da lancha dá as boas vindas e liga o motor. Quando chegamos ao local do passeio, ele passa as orientações. Como estávamos em sete pessoas, o mergulho seria feito por casal e eu, logicamente, mergulharia sozinha.

Fui a última a descer. O instrutor era uma figura e brincou até de dançar forró embaixo d`água comigo. Na verdade, estava era de xaveco furado. Nunca fui um pé de valsa, mas entrei no clima. Já na superfície, encontrei um grupo animado. Ouvi por cima alguém falar em cerveja e minha anteninha sempre ligada disparou. No caminho para as respectivas pousadas, todos resolveram descer na praia do Cachorro e tomar aquela gelada. Eu, que não sou boba nem nada, desci junto.

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Depois das conversas iniciais em que descobrimos os nomes e procedências das pessoas até então desconhecidas, começaram ospapos sobre gostos pessoais, interesses e a pergunta que não quer calar: “O que faremos mais tarde?” Neste ponto, o sol se pora e eu já tinha informações privilegiadas como, por exemplo, que “Javier” era solteiro e não tinha nada com a italiana.

Marcamos de jantar. Depois do jantar, Bar do Cachorro. Cerveja vai, cerveja vem. Forró tocando solto. Assim como a música, a língua ficando mais solta ainda. Encontramos o instrutor do passeio no local. Ele me chama para dançar. Apesar de nordestina, sou uma negação, mas enrolo. Já de volta à mesa, minha vez de engatar uma conversa com “Javier”. O bar já estava perto de fechar e o pessoal se despedia. Trocamos telefones e combinamos de nos encontrar em São Paulo, encontro esse que nunca aconteceu.

“Vamos tomar a ‘saideira’ na praia?”, propõe “Javier” ainda animado. Aceito. Saímos de mãos dadas do estabelecimento. Primeiras, segundas e terceiras intenções de ambos os lados. Ser solteira também tem seu lado bom, até em um lugar tão romântico como Fernando de Noronha.

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Uma resposta para “CRÔNICA: Solteirices

  1. Elisandra Camilo

    Ainda não se encontraram em São Paulo? Quem sabe em sua próxima viagem à magnífica Fernando de Noronha? Tem uns caras que são assim né: vem e vão do nada…

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