RESENHA: O sermão sobre a queda de Roma – Jérôme Ferrari

“O mundo é como o homem: nasce, cresce e morre.” Foi a partir dessa frase de Santo Agostinho que Jérôme Ferrari desenvolveu “O sermão sobre a queda de Roma”. O livro centraliza a história nas escolhas e questionamentos pessoais dos amigos Libero e Matthieu e do idoso Marcel, avô de Matthieu.

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Os dois jovens estudavam filosofia em Paris. Cansados da vida na capital e desestimulados, largam tudo para virar sócios de um bar localizado em uma vila da Córsega. No começo, tudo é festa. A rotina regada a bebedeiras e a mulheres, para eles, era o auge da vida até então.

Marcel é quem dá guarida ao neto, que logo decide dividir o quartinho de cima do bar com as atraentes garçonetes. Ele estava incomodado com os passeios noturnos do avô pela casa. Momentos solitários do idoso que traziam à tona fantasmas de um passado devastado pela primeira guerra mundial. Perdas, medos, conflitos familiares. Tudo revivido por meio de uma fotografia de família que o próprio Marcel nem aparece.

Enquanto ele é atormentado pelo passado, Libero e Matthieu curtem o presente. O verão havia chegado e o bar, usando uma gíria esdrúxula, bombava. O dinheiro não parava de entrar. Já preocupados com possíveis roubos, os dois passaram a andar armados, quase uma tragédia anunciada. Eles estavam tão inseridos na Córsega, que lembravam da época de Paris com desdém.

Temerosos do sonho que viviam acabar, nem uma doença na família de um deles foi motivo suficiente para os dois saírem da cidadezinha. Nesse momento do livro, inclusive, é possível perceber que os amigos estavam tentando o impossível: viver do presente eternamente. E isso fica claro quando eles permanecem imobilizados no saguão do aeroporto ouvindo um funcionário da companhia aérea chamar seus nomes para o embarque imediato. Eles simplesmente não conseguem (ou não querem) sair do lugar onde eram, ou pensavam que eram, tão felizes.

A visita da irmã de Matthieu e neta de Marcel explicita ainda mais a deturpação de valores e o declínio vivido pelos jovens protagonistas. Ela fica chocada ao encontrar o irmão tão diferente daquele que vivia em Paris.

Nas últimas páginas do livro, a vida “perfeita” dos jovens começa a ser ameaçada quando Libero decide partir. Ele já não se reconhecia mais. Matthieu tenta convencê-lo. Em vão.

“O sermão sobre a queda de Roma” é um livro para ser lido com atenção. São apenas 208 páginas de uma linguagem rebuscada e uma narrativa marcada pelas questões pessoais abordadas de forma sutil, porém avassaladora. Não por acaso, já que o autor Jérôme Ferrari é formado em filosofia pela Sorbonne. E conforme a filosofia clássica, nossas escolhas têm consequências positivas ou negativas, depende somente do que escolhemos. No caso dos protagonistas de “O sermão…”, essas escolhas não foram tão positivas assim.

“Mas ele não precisa ver o mar para sonhar, os sonhos de Marcel não se nutrem de contemplação nem de metáfora, mas de luta, luta incessante contra a inércia das coisas.”

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